Nosso grande intelectual Ruy Barbosa disse, na que talvez seja sua frase mais citada, extraída do Discurso no Senado, em 1914: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.
Vergonha de ser honesto? Onde estaríamos falhando? Por que o ser humano corteja tanto a infidelidade? É que fidelidade, quer a Deus, ao cônjuge, aos amigos, a ideais ou a princípios, é um conceito que precisa ser transmitido de pai para filho, de uma geração para outra. Existe um modelo de fidelidade que pode e deve ser copiado. Que modelo é esse? Ou melhor seria perguntar: quem é esse modelo? Em Lamentações 3.22,23 lemos: “A benignidade do Senhor jamais acaba, as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade”.
Jeremias escreveu o livro de Lamentações em forma de canto fúnebre, lamentando a destruição de Jerusalém pelos caldeus. Um furacão chamado Nabucodonozor devastou aquela cidade e a deixou reduzida a escombros. Por detrás de toda a calamidade, porém, o profeta ainda vislumbrava a bondade e a fidelidade de Deus. Ele tinha a convicção de que os pecados do povo mereciam muito maior punição, o que implicaria destruição total de Israel. Mas a misericórdia do Senhor é a razão por que Israel não foi totalmente consumido (v. 22a).
A fidelidade é a assinatura de Deus. O que ele prometeu, ele fará. O que ele começou, ele concluirá. Porque ser fiel é uma qualidade de sua natureza. Como Paulo dirá: “Se somos infiéis, ele permanece fiel; porque não pode negar-se a si mesmo” (2 Timóteo 2.13). É impossível imaginar a Deus de outro modo. E se devemos ser santos como ele é, se participamos da sua natureza como devemos participar (2 Pedro 1.4), então nossa opção será pela fidelidade.
Pr. Weliton Carrijo